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Por que tudo que conhecemos sobre influência está desmoronando?

Por Ana Paula Passarelli *

Imagine uma cena: você está rolando seu feed não TikTok você não Instagram e, de repente, vê um post de um influenciador que você acompanha. Antes de seguir rolando o feed, você percebe um pouco insólito. Uma @ mundialmente famosa deixou um observação no post. “A Kim Kardashian conhece ele?” UAU.

Sinto rematar com seus sonhos, mas hoje existem plataformas que monetizam os comentários de pessoas famosas – que provavelmente não serão feitas por elas, mas por suas equipes de marketing. Sim, por alguns poucos milhares de dólares você, que me lê, pode ter um observação de Kim Kardashian e de outras centenas de celebridades e @ famosas verificadas no seu perfil.

Quando divulgado essa notícia no meu perfil não Twitter, o choque foi universal. O marketing de influência teria ido longe demais? Cobrar para comentar? Sério? “A Tatá Werneck faz de perdão” dizia uma resposta. Os preços podem variar. De US $ 5 à US $ 50mil por um simples observação. Para quem já viu a monetização da empatia e a monetização da morte, a monetização do engajamento poderia passar despercebida.

Há alguns meses um empreendedor me pediu para estimar uma startup que estava lançando. De tudo que vi, o ponto mais sensível era uma frase que gritava na página inicial e dizia “monetizar sua audiência”. Uma frase por si só é um jogo de palavras que o velho capitalismo impõe, mas que dá o tom sobre porquê o aquecido marketing de influência vem sendo tratado: um mero meio de mídia um serviço da monetização das pessoas.

Começamos o marketing de influência com o pé esquerdo e hoje estamos colhendo os frutos podres que ele está gerando. Ao tratar influencia porquê veículo de mídia, estamos destruindo seu maior ativo, talvez o mais poderoso em tempos sociopolíticos tão turnos: a crédito que depositamos nas pessoas.

Se tudo que vejo é pago, porquê posso incumbir que é verdadeiro e honesto? O Conar (Parecer Pátrio de Autorregulamentação Pública) orientar a sinalização da publicidade (um observação pago é publicidade, caso você não saiba), mas a política de avisar que um teor foi patrocinado nem sempre é cumprida. No campo da mídia, que já vem sofrendo maus bocados com veiculação de mídia em sites não considerados, a procura pelo segurança de marca é cada dia mais urgente.

Nos Estados Unidos, uma empresa chamada NewsGuard criou um ranking de veículos fundamentado em ao menos nove critérios, entre eles veicular notícias falsas ou ser negacionista. Será que precisaremos de um Reclame Cá de Influência? Isso já foi taxa de uma divertida conversa com o nosso para sempre estremecido Maurício Vargas, fundador do Reclame Cá, uma das 500 milénio vidas tiradas pela covid-19 no Brasil.

Rimos e concluímos que se isso um dia fosse necessário é porque o marketing de influência estaria em maus lençóis. Mas se de maneira instrumentalizada o ranking não existe (ainda), cada escritório tem seus critérios e listas de bloqueio de figurinhas carimbadas e problemáticas, ou pelo menos deveria ter.

Quando a influência foi arranque dos braços da mãe das ciências sociais e jogada aos leões faz marketing, ela precisou aprender muita coisa sozinha, se endurecer às métricas de vaidade e ao tirocínio quotidiano que a sociedade do desempenho impõe.

Gosta de Poucos? Deleta e posta novamente. Ninguém vai perceber.

Poucos comentários? Compre um observação de uma @ famosa que os outros virão.

Poucos seguidores? Dez milénio seguidores por $ 99. Não, melhor comprar cinco milénio essa semana e mais cinco milénio na próxima, para que as pessoas não estranhem.

Tudo que foi construído sobre alicerces da vaidade e do desempenho está desmoronando. Se decompondo. Alguns deslumbrados e extrativistas, outros já perceberam que o Planeta Influência não tem recursos infinitos e precisa urgentemente de cuidados.

Em tempos de impacto e investimentos mirando em ESG, o marketing de influência vem se caracterizando porquê um esgoto monetizado. Mas nem tudo são trevas. O rio Sena já foi um dos esgotos a firmamento desimpedido mais pútridos do mundo, hoje é ponto turístico e abriga até uma singela e charmosa praia de verão. O chamado é agora. Ou devolvemos à garantia da crédito, ou esse mercado aquecido não terá tantos dias de sol assim.

Se a Tatá Werneck comentar, saiba que eu não paguei.

* Ana Paula Passarelli é CCO da BRUNCH, fundadora da TOAST escritório de influência, rabino em Informação e Semiótica pela PUC-SP, palestrante do TEDx, criadora e mãe da Emma



Inspirado no Post: Se Quiser Ver o Original

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